02/06/2010

Necessidade da autoiluminação


Depois que o ser humano desenvolveu o intelecto e a razão deu-se conta que essas conquistas não lhe bastam à existência, porque não o preenchem interiormente. No vazio existencial que o aturde, desenha-se-lhe a necessidade de autoiluminação, isto é, do autoencontro, da autorrealização. Iluminação é o vir-a-ser, o encontro com a realidade, a plenificação íntima (...)  E a fim de que ela ocorra, é necessário que seja alcançado o estado de inocência, a superação das suspeitas e dos vícios, a modificação de estruturas e de conceitos morais.
Não se trata da conquista  de uma inocência qual a que existe nas crianças, que é a ignorância a respeito das coisas, mas a anulação da malícia, das intenções dúbias e invejosas (...)
O ego torna-se diluído no ser profundo, e não existe nele tormento nem ansiedade. Neste estágio não teme o futuro, não sofre as recordações do passado, não se aflige com a chegada da velhice e muito menos com a perspectiva da morte.
A autoiluminação é também a mais eficaz maneira de compreender os outros, porque o indivíduo se conhece a si mesmo, após haver descoberto de onde veio, para onde vai e como alcançar o novo patamar da felicidade.  Quando a inteligência se torna capaz de alcançar um conhecimento mais elevado e poderoso do que aquele que é fruto da reflexão, o campo está preparado para a autoiluminação, que pode surgir como um relâmpago ou ser alcançada suave e delicadamente ... Quando Jesus disse que o "Reino dos Céus está dentro de nós", acenou com a possibilidade de que, a partir da autoiluminação, o indivíduo já penetrou nele e passa a fruí-lo. A iluminação não tem limites, porque o seu campo de expansão é o infinito.  Graças a esta conquista, alcança-se um estágio mais elevado de compreensão que traduz de maneira incomum a beleza do existir e do evoluir.

Fonte: Joanna de Ângelis
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