28/05/2011

Egoísmo e seus desdobramentos*


“A ilusão de satisfazermos os próprios interesses em detrimento dos interesses dos outros é o que caracteriza o estado de egoísmo”. (1)
O egoísta é um individualista que ilude-se acreditando que “tudo gira em torno dele” este interesse individualista é resquício da animalidade por onde transitamos, em priscas eras, em contato com os reinos menores da natureza. (1)
O egoísmo tem a sua base no orgulho. A exaltação da personalidade leva o homem a se considerar como acima dos outros, crendo-se com direitos superiores, e se fere com tudo o que, segundo ele, seja um golpe sobre os seus direitos. A importância que, pelo orgulho, liga à sua pessoa, torna-o naturalmente egoísta. O egoísmo e o orgulho tem a sua fonte num sentimento natural: o instinto de conservação. Todos os instintos têm sua razão de ser e sua utilidade, porque Deus nada pode fazer de inútil. Deus não criou o mal; foi o homem que o produziu pelo abuso que fez dos dons de Deus, em virtude de seu livre-arbítrio. (2)

Manifestações do egoísmo (desdobramentos)
O egoísmo tem muitos desdobramentos e manifesta-se na criatura humana de várias formas:
1- Preguiça - o seu centro de atividade é o ego, que somente se considera a si mesmo, evita ir em direção das demais pessoas (4) e realizar algo com elas e por elas.
2 – Raiva – é um sentimento que se exterioriza toda vez que o ego sente-se ferido/contrariado. Instala-se inesperadamente em face de qualquer conflito expresso ou oculto.(4) Pode ser dirigida p/ dentro (autoagressão) ou dirigida p/ fora (p/o externo).
3 – Violência/agressividade – a pessoa é guiada, dirigida por suas paixões por seus desejos egocêntricos. Há ausência de sentimento de fraternidade pelos demais.(4)
4- Inveja – falta de respeito e consideração pelas pessoas e por suas conquistas. Egocentrismo, quer ser o centro da atenção. (3)
5 - Ciúme – a pessoa ciumenta aspira amor, mas teme entregar-se-lhe. Apresenta imaturidade psicológica e insegurança frente a sua capacidade. É um dominador de coisas, pessoas e interesses e portador de um ego presunçoso. (4) “O outro existe p/ ele.”
6 - Mágoa – imaturidade psicológica e presunção pois o ego (a pessoa) atribui a si merecimentos que não tem. (3) "O outro precisa corresponder às suas expectativas" ...
O egoísmo, este grupamento de ilusões de supremacia, existirá por determinado período de tempo nas criaturas, até que elas consigam se conscientizar de que a atitude de “lavar as mãos”, de Pôncio Pilatos, isto é, considerações excessiva aos seus interesses pessoais, agindo arbitrariamente, trará sempre desilusões e obstrução na percepção do mundo em que vivemos. Já o exemplo do Cristo nos transfere a uma ampla realidade de que o amor é a única força capaz de nos trazer lucidez e equilíbrio no relacionamento conosco e com os outros. (1)
Como enfrentar o Egoísmo? Com uma receita simples: “Não fazer aos outros o que não gostaríamos que os outros nos fizessem”. (1)

Fontes de consulta:
(1) Hammed – Francisco do Espírito Santo Neto - “Estado Mental” do livro Renovando Atitudes.
(2) Allan Kardec- “O egoísmo e o orgulho” do livro Obras Póstumas.
(3) Joanna de Ângelis/Divaldo Franco – “Fatores para desintegração da personalidade” , “Referenciais para identificação de si mesmo”, “A conquista do Self” - do livro O Ser Consciente.
(4) Joanna de Ângelis/Divaldo Franco do livro Conflitos Existenciais.
(5) Allan Kardec “O Egoismo” Cap. XI item 11 (Emmanuel) do Livro O Evangelho 2º o Espiritismo.
(6) Joanna de Ângelis/Divaldo Franco do livro Orientação Terapêutica à luz da Psicologia Espírita.

* este tema foi elaborado por Simone Ferreira para fins de debate em grupos de estudos e palestras dentro do Movimento Espírita Brasileiro. Compartilhamos aqui no blog  porque ele também trata de assuntos ligados ao transpessoal, ao Espírito - entendido como a essencia imortal do ser humano.

08/05/2011

Seja um Antropólogo

A Antropologia é uma ciência que lida com o homem e suas origens. Nessa estratégia, no entanto, eu convenientemente redefino o objetivo da antropologia como “o interesse, sem preconceito, no modo como as pessoas escolhem viver e se comportar”. Essa estratégia é voltada para o desenvolvimento de sua compaixão, como forma de se tornar mais paciente. Acima de tudo, no entanto, o interesse no modo como as pessoas agem é uma forma de substituir julgamentos por amor verdadeiro.
Quando você se torna genuinamente interessado no modo como as pessoas reagem ou sentem a respeito de alguma coisa, é improvável que você se sinta, ao mesmo tempo, aborrecido. Desta meneira, ser um antropólogo é um bom caminho para nos tornarmos menos frustrados pelas ações dos outros.
Quando alguém age de um modo que lhes parece estranho, em vez de reagir de sua forma habitual, com atitude como: “Não posso acreditar que estejam fazendo isso”, tente dizer para si mesmo algo como: “ Este deve ser o jeito que ela vê as coisas em seu mundo. Muito interessante.” Para que essa estratégia lhe possa ajudar, no entanto, ela tem que ser tentada com convicção. Há uma fronteira estreita separando o estar “interessado” do “ser arrogante”, ou seja, acreditar, em seu íntimo, que o seu jeito de fazer as coisas é melhor.
Quando você se interessa pela perspectiva dos outros, não quer dizer, nem de leve, que você os esteja endossando. Eu certamente não escolheria um modo de vida punk ou o sugeriria para quem quer que fosse. Ao mesmo tempo, no entanto, não é minha função julgá-los. Uma das regras básicas para a vida feliz é pensar que julgar os outros consome grande energia e, sem exceção, o desvia do caminho que você gostaria de trilhar. Seja um antropólogo.

Do Livro: “Não faça tempestade em copo d’agua, e tudo na vida são copos d’agua.” (Richard C.)