22/09/2014

Regressão de Memória

por Simone Ferreira

Nem sempre o motivo que leva alguém a submeter-se a uma regressão de memória está ligado à curiosidade. Muitos conflitos existências, doenças físicas e da alma impulsionam a pessoa a procurar alívio através do entendimento e até mesmo  a cura dos seus sintomas.
Existem vários métodos e escolas que abordam o tema de muitas maneiras, nem todos com seriedade e ética que ele merece. Cabe encontramos um que respeite o véu, a Lei do Esquecimento e esteja interessado em auxiliar as pessoas a se desligarem de fatos traumáticos e não necessariamente a descobrirem se eram reis e rainhas, senhores ou escravos em existência pretérita e que ligação tinham com um  afeto/desafeto atual lá no passado.
Ouço por parte de alguns reencarnacionistas que o que foi vivido no passado deve ficar no passado, no entanto, não nos esqueçamos de que nosso inconsciente é atemporal e quando a experiência vivida é impactante pode manter-se viva e atuante trazendo prejuízos para a vida emocional e funcional da pessoa. Uma vez que nem todo sofrimento ou doença é resgate, algo que tem que ser expiado, mas muitas vezes memória inconsciente se manifestando, então, a regressão de memória constitui-se um procedimento eficiente para auxiliar no desligamento desta memória.
Ainda quanto ao  esquecimento do passado esclarecem os Espíritos Superiores que auxiliaram Allan Kardec na codificação da Doutrina Espírita em O Livro dos Espíritos, na questão 399 o seguinte: (...) “Mergulhando na vida corpórea, perde o Espírito, momentaneamente, a lembrança de suas existências anteriores, como se um véu as cobrisse. Todavia, conserva algumas vezes vaga consciência, e lhe podem ser reveladas. Esta revelação, porém, só os Espíritos superiores espontaneamente lhe fazem, com um fim útil, nunca para satisfazer a vã curiosidade.(…)”  O fim útil está ligado ao merecimento da pessoa que já alcançou o momento da cura ou do entendimento de determinada situação. Recordar o passado também é uma “estratégia terapêutica” utilizada nas reuniões mediúnicas para auxiliar muitos espíritos a terem compreensão mais ampla de determinada realidade, portanto, é um recurso valioso do Mundo Maior.
Joanna de Ângelis através de Divaldo P. Franco no livro Triunfo Pessoal esclarece o uso da regressão em quadros de fobia ao dizer que diversas psicoterapias podem reverter o quadro fóbico entre elas “não há como negar-se a valiosa psicanálise, bem como a terapia regressiva a existências passadas, de acordo com cada distúrbio, de modo a encontrar-se o estímulo traumático e trabalha-lo cuidadosamente, assim interrompendo-lhe a força associativa.” Ou seja, desligando este inconsciente da situação traumática que viveu a pessoa (Espírito) em determinada época e também propiciando o autoconhecimento, dando subsídios mais efetivos para sua autotransformação (reforma íntima), pois só assim entrará em sintonia e em conexão com seus propósitos de vida  tornando-a mais fluida, criativa e direcionada.
Joanna de Ângelis no livro O Homem Integral também explica que em alguns casos de psicoses e neuroses, nas dificuldades de relacionamento interpessoal, de inibições e frustrações, pode-se recorrer a uma viagem consciente ao passado, a fim de encontrar-se a matriz cármica e aplicar-lhe a terapia especializada, capaz de conscientizar a pessoa (paciente) e ajudá-la na superação do fator perturbante.”
Uma vez que a técnica deve ser parte de um processo terapêutico e não usada isoladamente, sem critério, reforça a autora, que a prática exige profissionais especializados a fim de evitar apressadas e falsas conclusões, bem como o mergulho em climas obsessivos que impõem mais cuidadosa análise e tratamento adequado.
 Como se vê a questão da regressão de memória é uma técnica complexa que deve estar ancorada num processo de terapia, nunca isoladamente, por isso mesmo merece estudo e cuidado por parte de quem deseja posicionar-se sobre ela para que as afirmações não se limitem a analisar apenas um lado da questão (a curiosidade), o bom senso sugere explorar e pesquisar os vários aspectos e opiniões, inclusive de autores espirituais, dando mais elementos para que as pessoas possam ampliar seu entendimento sobre o tema e se beneficiarem de mais um instrumento que está a disposição para a cura da humanidade.   

Fontes de Pesquisa:
FRANCO, Divaldo P. pelo Espírito Joanna de Ângelis - O Homem Integral -11ª ed. BA: LEAL, 2000.
FRANCO, Divaldo P. pelo Espírito Joanna de Ângelis -Triunfo Pessoal - BA: LEAL, 2002.
KARDEC, ALLAN – O Livro dos Espíritos – Ide Editora - 140ª edição, 2002.


Da paixão ao amor

O amor entre duas pessoas nasce de uma paixão mútua. Porém, a transição da paixão ao amor é difícil e delicada. Paixão e amor são bastante diferentes, embora sejam frequentemente confundidos. A paixão se caracteriza por sua intensa carga emocional, pela natureza sexual e pela temporalidade. A paixão não preserva a relação pois, sendo uma emoção, facilmente se converte em outra de sentido oposto: o ódio. O amor tem uma natureza permanente, implica crescimento espiritual e desenvolvimento pessoal e requer esforço, pois sua existência depende de disciplina. Tranformar a paixão em amor significa submeter a relação ao exame da razão para verificar se o objeto de nossa paixão merece  a devoção e o empenho que caracterizam o amor e mereça nossa admiração. Este é o alicerce básico para uma relação sólida e estável.
Para a pessoa apaixonada, a paixão confunde-se com o amor, pois o sentimento de bem querer é intenso. Mas o amor embora menos emocionado, é mais sólido, mais disposto a sacrifícios e mais duradouro. Paixão não é uma questão de opção, não consiste num ato de vontade tal como o amor; a paixão nos acomete como febre e independe de nossa escolha. Felizmente podemos nos recusar a levar adiante uma paixão que nossa razão julgue inaceitável e este é um gesto de amor por nós mesmos.
O resultado de uma verdadeira relação de amor se mede pelo quanto cada um torna o outro melhor, pelo estímulo, pelo crescimento e pelo resgate daquilo que temos de melhor e mais positivo dentro de nós mesmos.
 
Fonte: Luiz Alberto Py do Livro Olhar Acima do Horizonte - aprendendo com as coisas simples da vida.